Neurologista brasileiro explica importância de abordagem precisa e compassionada para transtornos neurobiológicos multifatoriais, com foco em ambientes ajustados, habilidades sociais individuais e planos educacionais e profissionais, considerando subtipos genéticos e substratos apresentações e termos: neurobiológico, multifatorial, substrato, genético, principais, subtipos, ambientes, acadêmico e profissional.
Em meio às discussões sobre saúde mental, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ganha destaque como um dos temas mais abordados. Muitas vezes mal compreendido, o TDAH é uma condição que impacta não apenas crianças e adolescentes, mas também adultos em diferentes esferas da vida. A busca por informação e conscientização sobre o TDAH é fundamental para desmistificar os estigmas que o cercam.
Além disso, é importante ressaltar que o TDAH é considerado um Transtorno Neurodesenvolvimento, o que significa que suas raízes estão ligadas ao desenvolvimento do sistema nervoso. A identificação precoce e o acompanhamento adequado são essenciais para garantir o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas que convivem com o TDAH. A informação é uma aliada poderosa na luta contra o estigma e na promoção de uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.
Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Entendendo a Prevalência e o Impacto
Enquanto nas crianças e adolescentes a prevalência estimada é ao redor de 5%, nos adultos cerca de 3% também sofrem do Transtorno Neuropsiquiátrico. Trata-se de uma condição com grande impacto psicológico e social, pois o TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que causa prejuízos significativos em diversos contextos de vida – acadêmico, profissional, social, familiar, pessoal.
O Dia Mundial de Conscientização e Sensibilização sobre o TDAH, celebrado todo dia 13 de julho, foi criado para combater estigmas e fornecer conhecimento baseado em evidências às pessoas com esse transtorno, reconhecendo que a educação e informação são fundamentais para melhorar suas vidas.
Entre os maiores obstáculos enfrentados por quem tem a condição estão os preconceitos e mitos arraigados na sociedade. Listo e desfaço cinco deles a seguir:
Transtorno Neuropsiquiátrico e Suas Causas Multifatoriais
1. ‘TDAH é causado por má educação ou pais negligentes’: trata-se de uma condição neurobiológica de causa multifatorial e importante substrato genético. Fatores de risco ambientais podem influenciar, mas não são a causa direta. E, por melhor que seja, não existe mãe ou pai capaz de impedir a manifestação do transtorno.
Subtipos de Apresentação e Habilidades Preservadas
2. ‘Todos com TDAH são hiperativos’: nem todas as pessoas com TDAH apresentam sintomas de hiperatividade. Existem três principais subtipos de apresentação – predominantemente desatento, predominantemente hiperativo-impulsivo e o combinado.
Intervenções Além da Medicação
3. ‘Pessoas com TDAH são menos inteligentes’: o TDAH não está relacionado com a inteligência. A maioria dos pacientes tem quociente de inteligência preservado dentro da média. Muitas pessoas apresentam habilidades intelectuais e criativas excelentes, e por vezes, até acima da média (o que configura dupla excepcionalidade: TDAH com altas habilidades).
Abordagens Multidimensionais no Tratamento do TDAH
4. ‘Medicação é a única forma de tratamento’: o tratamento do TDAH é multidimensional e interdisciplinar. As medicações – quando bem indicadas – são importantes sim, mas outras abordagens não farmacológicas também apresentam evidências científicas robustas e são complementares aos remédios. Elas incluem terapia comportamental, treinamento de habilidades sociais, planos educacionais individualizados, ajustes nos ambientes acadêmico e profissional, orientação parental e psicoeducação.
Desafios Neurobiológicos e Estratégias de Gerenciamento
5. ‘Pessoas com TDAH simplesmente precisam tentar se concentrar’: o transtorno traz um desequilíbrio de neurotransmissores (substâncias que ‘ligam e desligam’ circuitos cerebrais), trazendo dificuldades em habilidades como controle inibitório e regulação emocional. Portanto, não se trata, simplesmente, de ‘esforçar-se mais’.
Desmistificar esses mitos é crucial para promover uma compreensão mais precisa e compassiva do TDAH, permitindo que pessoas acometidas recebam o tratamento necessário para gerenciar sua condição de maneira mais eficaz. Além dos sintomas principais, pessoas com TDAH, frequentemente, apresentam comorbidades, tais como autismo, transtornos de aprendizagem, Transtorno Neurodesenvolvimento.
Fonte: @ Veja Abril