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No Rio, Ailton experimentou Semana do Meio Ambiente no Museu do Amanhã. Florestas interioras, tema deste ano. Explorou trilhas, sentiu a natureza integral. Lutou contra deslizamentos, inundações e chuvas fortes. Emulou Raoni, Krenak Cacique, visão de mundo florestal. Encontrou grandes desafios da Terra.
A devastação causada pela destruição humana é evidente na tragédia que assolou o Rio Grande do Sul. Em meio à dor e à desolação, a voz do Cacique Raoni ressoa, apontando para as consequências nefastas de nossas ações desenfreadas sobre o meio ambiente. Aos 92 anos, sua sabedoria ancestral ecoa como um alerta para a urgência de repensarmos nossos modos de vida e priorizarmos a harmonia com a natureza.
Nesses momentos de desastre ecológico, é crucial refletirmos sobre a relação entre a destruição humana e os acidentes que resultam dela. O legado de sofrimento deixado por essas tragédias serve como um lembrete doloroso de que a natureza não pode ser subjugada impunemente. Precisamos agir com responsabilidade e empatia, reconhecendo que somos parte integrante do ecossistema que habitamos.
Destruição, humana: Reflexões sobre a responsabilidade e os extremos da natureza
Durante a Semana do Meio Ambiente (Semeia), no Museu do Amanhã, Rio de Janeiro, o líder indígena caiapó, Raoni, abordou o desastre climático no Rio Grande do Sul, impactado por chuvas intensas, inundações e deslizamentos. Raoni enfatizou a necessidade de evitar novas tragédias e a importância da humanidade refletir sobre sua responsabilidade na provocação de extremos da natureza.
‘Eu não sei se as pessoas vão acordar depois disso. Mas sugiro que, após essa tragédia causada pelos próprios homens brancos, que destroem a natureza, construindo em locais inadequados, haja uma reflexão profunda sobre os acontecimentos. São eles que provocam e sofrem as consequências. Conheci muitos espíritos da água e da floresta, e a mensagem deles é clara: se continuarem ameaçados, vão reagir. Isso não é positivo para nós. É crucial cuidar melhor do nosso ambiente. Todos devem dialogar para seguir o caminho correto’, declarou Raoni.
Cacique Raoni recebeu honraria de Macron e defendeu demarcações territoriais durante encontros com Lula. Para o líder indígena, as demarcações são essenciais para as futuras gerações. Lula elogiou Raoni, afirmando que ninguém mais merece o Prêmio Nobel do que ele. Raoni ressalta que a luta em defesa do meio ambiente é contínua e necessita do fortalecimento de jovens lideranças indígenas, enfatizando que o futuro do planeta depende da união entre diferentes povos.
‘Há muitos anos, nossos ancestrais, tanto os homens brancos quanto os povos indígenas, travaram conflitos nesta terra, no Brasil. Houve guerras, violência. Devemos deixar o passado para trás e nos concentrar no futuro. Para o nosso bem, devemos nos preocupar mais com as florestas, rios e todo o meio ambiente’, afirmou o cacique.
Desafios atuais e a importância da reconexão com a natureza
Durante a Semana do Meio Ambiente, que ocorre entre os dias 5 e 9 de junho no Museu do Amanhã, a programação especial aborda o tema ‘Trilhas da florestania: uma visão de mundo que integra o ecossistema de forma integral’.
‘O conceito de florestania, introduzido por Ailton Krenak e o Cacique Raoni, está relacionado à ideia de que a floresta está presente dentro de nós. Para aqueles que vivem nas cidades, a floresta é vista como algo externo. No entanto, como fazemos parte da natureza, a floresta também habita em nós. Um dos grandes desafios atuais enfrentados pelo planeta, que estamos experimentando de forma intensa no Rio Grande do Sul, está ligado à nossa separação da natureza’, refletiu Fabio Scarano, curador do Museu do Amanhã e professor de Ecologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Scarano ressalta a importância de aprender com os povos indígenas sobre a relação com o meio ambiente. ‘Este evento busca motivar as pessoas a redescobrirem as florestas do mundo e a floresta que está dentro de cada um. Os povos que nunca se separaram dela, como os originários e ancestrais, podem nos guiar no caminho de retorno à natureza’, destacou Fabio.
Fonte: @ Nos