Polícia federal impediria trânsito em municípios do Nordeste no segundo turno, visando dificultar eleitorado de Lula, ex-ministro da Justiça e ex-diretor-geral da PRF liderariam operação blitze em estradas e rodovias. (139 caracteres)
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou nesta quarta-feira (20) um esquema ilegal de uso de recursos públicos para interferência em eleições. O ex-diretor-geral da PRF, Pedro Silva, foi afastado do cargo após denúncias de ações por corrupção eleitoral.
As investigações apontam que houve tentativas ilegais de manipulação do processo eleitoral, com a PRF sendo utilizada indevidamente para favorecer determinados candidatos. A interferência em eleições é um crime grave que deve ser combatido com rigor pelas autoridades competentes.
Investigações sobre ações ilegais da PRF em interferência nas eleições
Segundo as apurações em curso, indivíduos envolvidos deram ordens ilegais e influenciaram a Polícia Rodoviária Federal (PRF) a realizar operações com o intuito de dificultar o deslocamento de eleitores do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 30 de outubro de 2022, data do segundo turno das eleições, vencido pelo petista na disputa contra o então presidente Jair Bolsonaro, que almejava a reeleição. O pedido de indiciamento foi corroborado pela Agência Brasil e está registrado em um relatório parcial enviado pela Polícia Federal (PF) à Procuradoria Geral da República (PGR), que agora analisará se os indícios de crime são sólidos e se denunciará os envolvidos à Justiça, se solicitará mais investigações ou se pedirá o arquivamento do caso. A PF continua a investigação e solicitou prazo adicional para a condução das apurações. Além de Torres e Silvinei, outros quatro policiais federais que atuaram no Ministério da Justiça foram indiciados: Alfredo de Souza Lima Coelho Carrijo, Fernando de Sousa Oliveira, Leo Garrido de Salles Meira e Marília Ferreira de Alencar. Todos estão sob investigação pelo delito do artigo 359-P do Código Penal, que trata de violência política, por tentativa de restringir, impedir ou dificultar o exercício dos direitos políticos de terceiros. Operações policiais As operações em questão foram realizadas por meio de blitze policiais em estradas e rodovias, com foco na Região Nordeste, onde Lula liderava as pesquisas de intenção de voto. O propósito seria favorecer o então presidente Jair Bolsonaro, impedindo que os eleitores potenciais de Lula chegassem aos locais de votação. Conforme informações da investigação, o contingente da PRF no segundo turno das eleições foi maior no Nordeste do que nas outras regiões do país. No dia 30 de outubro, foram utilizados 795 policiais, enquanto foram empregados 230 na Região Norte, 381 no Centro-Oeste, 418 no Sul e 528 na Região Sudeste. O número de ônibus abordados pela fiscalização também foi acima da média em comparação com as demais regiões do país. No Nordeste, foram 2.185 veículos, enquanto nos demais estados foram 310 (Norte), 571 (Sudeste), 632 (Sul) e 893 (Centro-Oeste). A PF também encontrou no celular de Marília Alencar, ex-assessora do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e uma das indiciadas, imagens com o mapeamento de municípios onde o presidente Lula obteve expressiva votação. São registros de um painel intitulado ‘Concentração Maior ou igual a 75% – Lula’. Prisões Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a libertação do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, que ficou detido por cerca de um ano sob suspeitas de utilizar a corporação para dificultar o deslocamento dos eleitores. Ao ordenar a soltura de Vasques, Moraes mencionou que não há mais justificativas para a prisão preventiva, considerando o estágio avançado das investigações. Ele determinou a aplicação de medidas alternativas, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de se envolver em atos que interfiram no processo eleitoral.
Fonte: @ Agencia Brasil