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Até um mês atrás, pessoas enviavam documentos ao governo usando dispositivos de armazenamento antigos, como fax, carimbos e pagers, conforme regras milenárias. Agora, negócios preferem tecnologia digital, como Taro, Kono e assinaturas digitais da Agência Digital, substituindo dispositivos ultrapassados.
Recentemente, houve uma mudança significativa no cenário tecnológico do Japão, com a despedida oficial dos dispositivos-de-armazenamento-ultrapassados, conhecidos como disquetes. Até pouco tempo atrás, era comum que os cidadãos precisassem recorrer a esses meios obsoletos para enviar informações ao governo, em conformidade com as regulamentações vigentes. No entanto, essa era chegou ao fim, marcando uma nova era de modernização e eficiência no país asiático.
Essa atualização representa um passo importante na eliminação de dispositivos e tecnologia-obsoleta que por tanto tempo foram utilizados no Japão. Com a abolição das mais de mil regulamentações que exigiam o uso de disquetes e outros dispositivos-de-armazenamento-ultrapassados, o ministro de Assuntos Digitais, Taro Kono, sinaliza um futuro mais conectado e ágil para a nação. É hora de dar boas-vindas a novas formas de armazenamento e comunicação, deixando para trás métodos ultrapassados.
Desafio: Eliminar Dispositivos de Armazenamento Ultrassados
Em um movimento ousado, Kono iniciou uma ‘guerra’ contra os dispositivos de armazenamento ultrapassados, especificamente os disquetes. Após quase três anos de batalha, ele finalmente anunciou a vitória: ‘Vencemos a guerra contra os disquetes!’ Desde que assumiu o cargo, Kono estabeleceu como meta erradicar a tecnologia obsoleta. Ele também expressou sua determinação em ‘se livrar do aparelho de fax’.
O Japão, que já foi considerado uma potência tecnológica, ficou para trás na transformação digital global devido à resistência à mudança. Os locais de trabalho japoneses continuaram a preferir os aparelhos de fax em detrimento dos e-mails, resultando no cancelamento de planos anteriores para remover esses dispositivos ultrapassados dos escritórios públicos.
O anúncio de Kono gerou grande repercussão nas redes sociais japonesas. Um usuário do antigo Twitter chamou os disquetes de ‘símbolo de uma gestão anacrônica’, enquanto outro comentário questionava: ‘O governo ainda usa disquetes? Isso é tão ultrapassado… Acho que está cheio de pessoas idosas’. Alguns usuários expressaram nostalgia, imaginando se os disquetes poderiam começar a aparecer em sites de leilão.
Os disquetes, criados na década de 1960, caíram em desuso na década de 1990 com o surgimento de soluções de armazenamento mais eficientes. Um disquete de 3,5 polegadas é capaz de armazenar apenas 1,44 MB de dados, o que equivale a mais de 22 mil discos para replicar a capacidade de um simples pendrive de 32 GB. A última fabricante de disquetes, a Sony, encerrou sua produção em 2011.
Como parte de uma campanha para digitalizar sua burocracia, o Japão lançou a Agência Digital em setembro de 2021, liderada por Kono. No entanto, a transição do Japão para o digital pode enfrentar obstáculos. Muitas empresas ainda exigem que documentos oficiais sejam carimbados com hanko, mesmo com os esforços do governo para eliminá-los gradualmente. A resistência à mudança é evidente, com as pessoas se desapegando lentamente desses carimbos.
Apenas em 2019, o último fornecedor de pager do Japão encerrou suas operações. O último assinante privado do serviço revelou que era o método de comunicação preferido de sua mãe idosa. A jornada do Japão em direção à digitalização é um processo complexo, repleto de desafios e resistências, mas liderado por indivíduos determinados como Kono.
Fonte: © G1 – Tecnologia