MPF recomenda monitorar e controlar contaminação em áreas de mineração no Tapajós, Pará, especialmente as terras indígenas, com uso do Sissolo e laudos anexados.
A contaminação por mercúrio é um problema grave que afeta diversas regiões do Brasil, incluindo a região do Tapajós, no Pará. A presença do mercúrio em áreas de mineração representa um risco para a saúde das populações locais e para o meio ambiente, exigindo medidas de monitoramento e controle por parte das autoridades competentes.
A poluição por mercúrio pode resultar em intoxicação por mercúrio, causando sérios danos à saúde humana e aos ecossistemas. Os perigos do mercúrio são amplamente conhecidos e demandam ações efetivas para prevenir novos casos de contaminação e remediar as áreas impactadas, protegendo assim a saúde pública e a biodiversidade local.
Monitoramento e controle da contaminação por mercúrio
No dia 8, o Ministério Público Federal (MPF) emitiu uma recomendação às secretarias estaduais de Saúde e de Meio Ambiente do Pará, assim como às secretarias municipais de Saúde e de Meio Ambiente nos municípios de Aveiro, Itaituba, Jacareacanga, Novo Progresso, Rurópolis, Trairão e Altamira.
Perigos do mercúrio e a poluição no solo
Estudos recentes revelaram que o povo Munduruku, que vive nessa região, enfrenta riscos constantes à saúde devido à contaminação do solo por mercúrio. O MPF destaca a importância do registro das secretarias no Sistema de Informação de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Solo Contaminado (Sissolo), do Ministério da Saúde, no prazo de 30 dias.
Consequências da contaminação por mercúrio
Após esse processo, elas têm 60 dias para mapear as áreas de risco expostas ou potencialmente expostas a contaminantes químicos, especialmente em territórios indígenas. É essencial que as secretarias de Meio Ambiente dos municípios identifiquem e cadastrem as áreas contaminadas ou potencialmente expostas no Sissolo, enviando relatórios com os dados coletados em até 90 dias para o MPF e o Ibama.
Impactos socioambientais e segurança alimentar
Além disso, é fundamental que os órgãos envolvidos no processo tornem os dados estatísticos referentes às áreas contaminadas públicos, visando a construção de indicadores ambientais e de saúde. O objetivo é identificar as populações expostas aos efeitos nocivos da contaminação por mercúrio e realizarem o monitoramento, o planejamento de políticas públicas de saúde e o repasse de recursos federais para ações necessárias.
Contaminação por mercúrio e a população indígena
Essa recomendação é resultado de um inquérito civil aberto em 2021 para investigar a contaminação por mercúrio do povo Munduruku na microrregião de Itaituba. Estudos realizados por diversas instituições de ensino apontaram que a atividade garimpeira está promovendo alterações de grande escala no uso do solo, com impactos socioambientais diretos e indiretos nas populações locais.
Contaminação do solo e exposição ao mercúrio
Esses impactos vão desde prejuízos à segurança alimentar, à economia local, à saúde das pessoas e ao ecossistema. Aldeias indígenas Munduruku, como Muybu, Sawré Aboy e Sawré Muybu, correm risco permanente devido aos efeitos tóxicos do mercúrio, enviado para os rios através da atividade garimpeira.
Mineração e áreas contaminadas por mercúrio
Estudos destacam que a população pode estar sendo exposta a altos níveis de mercúrio em sua dieta devido à contaminação do peixe. Também foi constatado que áreas com maior histórico de garimpagem apresentam a maior incidência de queixas neurológicas entre os indígenas Munduruku.
Contaminação por mercúrio e populações ribeirinhas
Laudos apresentados ao inquérito mostraram evidências de contaminação mercurial do povo Munduruku e alertam para a potencial contaminação de toda a população ribeirinha que depende da pesca para subsistência. A contaminação por mercúrio é desencadeada pela atividade de desmonte do solo e despejo dos sedimentos nos rios durante a extração mineral.
Saúde pública e meio ambiente
A investigação também revelou que o Pará não disponibiliza acesso aos relatórios de áreas contaminadas no Banco de Dados Nacional sobre Áreas Contaminadas, em descumprimento às determinações do Conama. O MPF deu prazo de 15 dias corridos para as secretarias de Saúde e Meio Ambiente se manifestarem sobre o acatamento das recomendações e quais providências serão tomadas para garantir o cumprimento das medidas propostas.
Fonte: © TNH1