Igreja Católica critica eutanásia e barriga de aluguel em novo documento. Posicionamento ocorre após bênçãos a casais do mesmo sexo, e aborda questões LGBTQIA+.
O Vaticano reiterou sua postura contrária às mudanças de sexo, à teoria de gênero e à paternidade substituta, além de se opor ao aborto e à eutanásia, mesmo após ter apoiado bênçãos para casais do mesmo sexo há alguns meses.
Essa posição da Santa Sé reflete os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica, que defende a sacralidade da vida desde a concepção até a morte natural. A Santa Sé tem sido firme em suas convicções, mantendo uma postura conservadora em relação a questões de gênero e bioética.
O Gabinete Doutrinário do Vaticano e a declaração ‘Dignitas Infinita’
O Gabinete Doutrinário do Vaticano (DDF) tornou pública a declaração ‘Dignitas infinita’ (dignidade infinita) após uma forte resistência conservadora, especialmente na África, em relação ao seu documento sobre questões LGBTQIA+.
A Santa Sé não sugere que o novo texto, que aborda o que a Igreja considera como ameaças à dignidade humana, tenha sido elaborado como resposta direta às disputas sobre as bênçãos para pessoas do mesmo sexo, apesar de ter sido trabalhado ao longo de cinco anos. No entanto, passou por revisões abrangentes durante esse período.
A aprovação do Papa Francisco e os temas abordados
O Papa Francisco deu sua aprovação após solicitar que o documento também mencionasse ‘a pobreza, a situação dos migrantes, a violência contra as mulheres, o tráfico de seres humanos, a guerra e outros temas’, como destacou o chefe do DDF, cardeal Victor Manuel Fernandez, em um comunicado.
A declaração enfatiza que a parentalidade substituta viola a dignidade tanto da mãe substituta quanto da criança, recordando as palavras de Francisco, que a descreveu como ‘desprezível’ em janeiro e pediu uma proibição global dessa prática.
Abordagem da teoria e ideologia de gênero
Sobre a teoria do gênero, o documento afirma que ‘desejar uma autodeterminação pessoal, como sugere a teoria do gênero, para além da verdade fundamental de que a vida humana é um presente, equivale a uma tentativa de competir com o verdadeiro Deus de amor revelado no Evangelho’.
A ideologia de gênero, frequentemente criticada como sendo a teoria do gênero, propõe que o gênero é mais complexo e fluido do que as tradicionais categorias binárias de homem e mulher, dependendo de variáveis para além das características sexuais visíveis.
Intervenções cirúrgicas e mudanças de gênero
Em relação às mudanças de gênero, a declaração destaca que ‘qualquer intervenção para mudança de sexo, em princípio, pode ameaçar a singularidade da dignidade que a pessoa recebe desde a concepção’.
Reconhece que em algumas circunstâncias as intervenções cirúrgicas são realizadas para resolver ‘anomalias genitais’, porém ressalta que ‘tais procedimentos médicos não implicariam numa mudança de sexo no sentido pretendido’.
Fonte: © G1 – Globo Mundo