Três pessoas registraram queixa contra o proprietário do Boteco por racismo estrutural e por não permitir a presença do guia de umbanda.
Racismo é um problema que ainda persiste em nossa sociedade, como mostra o recente caso de três clientes que denunciaram o proprietário do Boteco Belmonte, localizado em Ipanema, Zona Sul. Eles afirmam terem sido discriminados e expulsos do estabelecimento, mesmo tendo pago para estar lá.
Esse tipo de discriminação é inaceitável e demonstra a persistência do preconceito em diversos espaços. A segregação baseada na cor da pele ou na origem étnica é um reflexo do racismo estrutural que ainda enfrentamos no Brasil. Precisamos continuar lutando contra essas atitudes e promover a inclusão e a igualdade em todos os lugares. O racismo não pode ser tolerado em nenhuma circunstância.
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Racismo estrutural: advogado relata agressão em restaurante no Rio
Para o advogado Márcio Ribeiro, uma das vítimas, a agressão aconteceu por racismo estrutural — ele, que usava uma guia de umbanda, e a prima são negros. O caso foi registrado na 13ª DP (Ipanema) no domingo (11). Ao DIA, Márcio foi ao bar junto com a namorada e a prima.
O advogado relatou que os três pagaram R$ 35 para ficar no segundo andar do restaurante e, no momento da passagem do bloco ‘Simpatia é Quase Amor‘, resolveram ir até a sacada.
Neste momento, um garçom teria dito que os três não poderiam ficar no local e Antônio Rodrigues, identificado como proprietário do estabelecimento, teria agido com truculência e os expulsado.’Estavam eu, minha namorada e minha prima. Eu e minha prima somos pessoas da cor negra. Nós pagamos R$ 35 para ficar no segundo andar. Tinha uma cordinha para que você não chegasse na sacada.
Assim que o bloco começou a passar, nós nos dirigimos até a sacada e ficamos observando a passagem do bloco. Aí veio um garçom e disse que não poderíamos ficar ali. Eu falei que paguei para ficar e ele disse que não podia, porque tinha que dar a vez para outras pessoas. Se as pessoas que estavam no primeiro andar quiserem estar onde eu estava, era só pagar.
Eu estava conversando com o gerente e estava esse Antônio Rodrigues do lado dele. Ele (dono) falou, de forma truculenta, ‘Sai daqui, você vai sair daqui, sim’. Eu falei que não ia. Tinham outras pessoas (no mesmo lugar). Não tinha só a gente’, explicou.De acordo com o advogado, o proprietário tentou tomar o celular de sua prima, que filmava a confusão, e ainda a teria agredido.
‘Foi aquele racismo estrutural, só porque nós somos de cor. Eu estava com a minha guia de umbanda que é para Exu. Tinham várias outras pessoas e ele não fez nada. Inclusive, ele não deixou nem eu pagar a conta. O próprio relato do funcionário dele, que é o gerente, diz que ele errou e estava nervoso. Como proprietário, ele não poderia fazer isso.
Depois, eu me dirigi até a delegacia e fiz o registro. Posteriormente, o delegado falou que poderia ser feito até o registro por racismo porque tinham outras pessoas lá e foi só com a gente’, completou. Inicialmente, o caso foi registrado como constrangimento ilegal.
No entanto, Márcio disse que pretende ir à delegacia para mudar a tipificação para racismo.Questionada, a Polícia Civil ainda não respondeu. O espaço está aberto para manifestação.A reportagem tenta contato com o Belmonte, mas até o momento não teve retorno. O espaço também está aberto para manifestação.Romulo Cunha
Fonte: @odiaonline
Fonte: © Direto News