Nós fazemos história no jornalismo esportivo com coragem e diálogo. Vítimas caladas ganham voz em nossa revolução contra discurso sexista.
É inaceitável que em pleno século XXI ainda exista tanta violência de gênero. Agressão, abuso e violência não podem ser tolerados em nenhuma circunstância. A luta contra a violência de gênero precisa ser constante e incansável. Não podemos mais fechar os olhos para essa realidade cruel. É hora de agir e promover mudanças significativas em nossa sociedade.
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O que a sociedade esperava de Cuca: discurso marcante após estreia pelo Athletico
Não só no caso do retorno atual de Cuca, agora técnico do Athletico, mas durante a marcante passagem pelo Corinthians e a última pelo Galo, a violência no futebol salta à vista. A agressão, o abuso e a violência de gênero não podem ser ignorados.
No caso de Robinho, ex-jogador do Santos, no caso Daniel Alves e entre outros ‘menores’ nestes últimos cinco anos, a presença de comportamentos problemáticos é preocupante. Batemos em muitas teclas doloridas, enfrentamos haters e ameaças de uma forma inaceitável. Um time de futebol foi boicotado pela própria torcida e pela própria diretoria porque ousou se manifestar. Nossos telefones foram vazados, expondo a todos a uma situação de vulnerabilidade perigosa.
Colegas que sentam ao nosso lado nas bancadas trocando mensagens com agressores na nossa frente. Nos intimidando nos corredores obscuros do jornalismo. Torcedoras sendo humilhadas e ameaçadas em estádio por ‘guardiões’ de tudo que nos fere, revelando a triste realidade da violência presente no esporte.
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+ ‘O que a sociedade esperava de mim’: Cuca faz pronunciamento sobre condenação na Suíça Nossas imagens foram e seguem sendo deturpadas por uma rede misógina e sexista que insiste que nossa opinião não vale diante da violência cometida.
Quem tem feito história na releitura desses casos somos nós, que encaramos tudo de peito aberto e conseguimos trazer homens diversos para esse contexto de coragem e questionamento. Todos esses caras que estão com discursos ensaiados e protegidos por uma rede branca e opressora não fizeram nada. Jogaram a toalha branca para poderem trabalhar em paz. E nem precisava de tanto.
Estamos há anos e anos pedindo para que revejam a própria história, para que dialoguem com a sociedade atual. A história foi a gente ter visto um monte de homens envolvidos no futebol agora com coragem de questionar outros homens, revelando uma mudança de postura notável. Sempre se colocando no lugar de inúmeras vítimas que foram caladas por décadas e décadas, mostrando a importância de um diálogo aberto e corajoso para transformar uma realidade marcada pela violência.
Nunca mais uma mulher sofrerá violência no esporte e a vida de um agressor seguirá normalmente. Nunca mais. E essa é a verdadeira e única revolução que precisamos para transformar um ambiente manchado pela violência em um lugar de respeito e equidade.
Cuca é o atual técnico do Athletico — Foto: Gustavo Oliveira/athletico.com.br
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Fonte: © GE – Globo Esportes