A construção de prédios altos, como o Edifício Martinelli em São Paulo e o Edifício Joseph Gire, reflete a demanda por espaços de luxo nas principais cidades brasileiras.
No centro de São Paulo, em 1929, o prédio alto que dominava a paisagem era o Edifício Martinelli, um marco da arquitetura da época.
Com a construção do arranha-céu, a cidade ganhou ainda mais destaque no cenário nacional, mostrando a capacidade de inovação e crescimento urbano. O edifício alto se tornou um símbolo de progresso e modernidade para a sociedade paulistana.
O novo e o velho nos prédios altos
Com 106 metros de altura e 28 pavimentos, o empreendimento idealizado por Giuseppe Martinelli foi construído no centro da cidade de São Paulo e travava uma disputa com a obra que ocupava o posto de segundo maior arranha-céu da América Latina naquele momento, o Edifício Joseph Gire, conhecido como Edifício A Noite, instalado no centro do Rio de Janeiro. Quase 100 anos depois, os números mudaram.
Aqueles 102 metros que transformaram o Edifício Joseph Gire em um marco histórico da arquitetura nacional não o colocariam nem na lista de 100 maiores prédios do Brasil em 2024. O primeiro lugar agora é ocupado por uma torre de 290 metros de altura e 84 pavimentos em uma cidade que na década de 1930 era apenas um refúgio com casas de veraneio no sul do País.
Entregue em 1929, o One Tower se caracteriza pelos superlativos. O edifício faz parte da silhueta da orla de Balneário Camboriú, o município com o metro quadrado mais caro do Brasil.
Localizado na Avenida Atlântica, uma das áreas mais nobres da cidade, é, de acordo com o site The Skyscraper Center, o segundo maior prédio da América Latina, ostentando apartamentos que chegam a custar até R$ 70 milhões.
São mais de 52 mil m² de área construída, com mais de nove mil toneladas de aço e 24 mil m² de concreto em um trabalho que mobilizou mais de dois mil trabalhadores da construção civil. Dos 84 pavimentos, 70 são habitáveis, sendo dois apartamentos por andar. O investimento ultrapassou os R$ 650 milhões e para adquirir uma unidade é necessário desembolsar cerca de R$ 12 milhões.
Investir em prédios altos é um bom negócio
A justificativa para a construção de um empreendimento tão alto é a mesma que movimenta todo o mercado imobiliário.
A soma de boa localização, muito espaço e porções de privilégio faz com que compradores de vários cantos do Brasil e do mundo encontrem nestes edifícios uma solução para desfrutar de uma qualidade de vida que é alheia ao restante da população. ‘Balneário Camboriú é demograficamente pequena ao mesmo tempo que é desejada.
Em busca de segurança e qualidade de vida em uma cidade litorânea com infraestrutura de capital, muitas pessoas desejam morar aqui. O desenvolvimento de skylines e prédios cada vez mais altos é uma resposta do mercado a essa demanda’, justifica Stephane Domeneghini, Gerente de Engenharia Aplicada e SuperTall da FG Empreendimentos.
O crescimento contínuo de Balneário Camboriú
Dos 10 maiores prédios construídos em território nacional, 7 estão em Balneário Camboriú. Entre os 50 maiores, 22 estão na cidade catarinense. A FG Empreendimentos é responsável pelo desenvolvimento de 4 dos 10 prédios mais altos do Brasil, além de contar com um portfólio recheado de arranhas-céus.
‘Não construímos prédios para ocupar o ranking, é uma forma de aproveitar os terrenos ao máximo’, esclarece Stephane. ‘Não faz sentido construir quatro apartamentos por andar, sendo que dois deles não terão vista para o mar. Há fundamentação legal na cidade e é uma engenharia possível de ser realizada sem qualquer risco.
Garantimos que mais pessoas possam morar numa unidade com vista para o mar’, comenta Stephane. A fundamentação a que ela se refere é o Plano Diretor e a Lei de Zoneamento de Balneário Camboriú, que incentivam a construção de prédios mais altos.
Desafios relacionados à urbanização
Para Fernando Calvetti, a verticalização em áreas urbanas centrais pode ser vista de maneira positiva. ‘Quando é coerente, ela diminui a dispersão urbana, trabalhando pelo uso eficiente das infraestruturas já existentes’, explica. Ele acredita que a ideia pode servir de base para o crescimento. ‘Cidades que se espalham têm um aumento considerável em problemas como poluição do ar por causa de mais carros circulando, tarifas de transporte mais altas e uma população com menos tempo de lazer e descanso, resultado do maior tempo de deslocamento’, esclarece o professor.
No entanto, ele alerta que a verticalização não é sinônimo de adensamento. ‘Empreendimentos de alto padrão apresentam densidades baixas em função das poucas unidades por pavimento’, afirma.
‘Deve-se considerar, também, as contrapartidas, como o risco de que a cidade cresça de forma abrupta, representando um estrangulamento na infraestrutura, resultando em congestionamentos, por exemplo’, acrescenta. ‘Em Balneário Camboriú esse embate é latente considerando pontos como a balneabilidade da praia, alargamento da faixa de areia, demanda por água e esgoto tratado’, enumera.
Aspectos positivos da verticalização
Stephane contrapõe defendendo que a cidade deveria ser exemplo de urbanização para outras localidades brasileiras. ‘É um município em que poder público, empresas e a população sentam na mesa para chegar a um entendimento conjunto’, argumenta. ‘Não são apartamentos com muros. Os edifícios são construídos com fachadas ativas para englobar os pedestres ao invés de afastar as pessoas’.
O futuro das torres
O One Tower, da FG Empreendimentos, está prestes a perder o título de prédio mais alto do Brasil. Em março, dois pináculos decorativos serão instalados no topo do complexo Yachthouse by Pininfarina, cujas torres vão passar de 281 metros para 294 metros de altura. Alcino Pasqualotto, Presidente da Pasqualotto & GT, empresa por trás do projeto, defende que a construção é para tornar o prédio mais bonito, não para que ele chegue ao topo do País. A FG Empreendimentos já anunciou o projeto de construção do The Tower, com 340 metros de altura, e do Triumph Tower, um edifício com mais de 500 metros e 100 pavimentos em Balneário Camboriú, quase do tamanho do Edifício Martinelli.
Fonte: © Estadão Imóveis